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A Teoria das Expectativas Desfeitas

Pois é pessoal, a horta continua o seu aclive, mas algumas coisas mudaram naquela terra de ninguém. Sim, ela está viva, verde,… mas em apenas dois pontos do seu imenso retângulo…  com apenas dois ramos de cebolinha. A rúcula não brotou e o alface nem se quer deu o ar da sua graça.

Não sei se este resultado é devido a minha falta de experiência (o que é provável) ou se é por causa daquela terra de ninguém.

Falta de cuidado não pode ter sido, afinal, rego-as todos os dias, retiro os raminhos de mato ao redor, e etc.

O fato é que algumas coisas realmente não adquirem o resultado que nós esperamos, isso é devido a uma coisa chamada teoria das expectativas desfeitas. Mas que p…. é essa de teoria não sei do que?!

Pois é, eu me lembro de falar dela há muito tempo para alguém, (que é lógico que eu não lembro quem foi!), mas acho que nem essa pessoa lembra-se disso pois soou tão idiota quando eu a citei! Podia ser qualquer coisa, ou nenhuma. A verdade é que a Teoria das Expectativas Desfeitas nem é uma teoria direito.

Ao contrário dos Postulados de Newton, do Princípio de Arquimedes e das Leis do Movimento Planetário, devidamente comprovados por homens de clara vocação para os números e para a lógica do universo, a Teoria das Expectativas Desfeitas não passa de um achismo, daqueles bons e muitíssimo baratos, desenvolvido por mim, que fugi o quanto era possível das aulas de Física, numa noite de falta de sono e alguma alegria arruinada.

Ela se justifica pelo fato (triste, mas inevitável e certeiro) de que, cedo ou tarde, o amor não vinga, a flor não sobrevive, o telefone não toca, o aumento de salário não vem, a dieta não funciona e a gente chora uma dor que não se conta, existe e depois passa.

A Teoria das Expectativas Desfeitas se fosse mesmo uma teoria, registrada, rotulada e analisada, teria sempre as mesmas causas, mas nomes diversos em culturas diferentes, e em cada lugar do mapa, imagino, seria feita de sintomas distintos – torcer o pescoço do culpado pela desilusão em comunidades mais violentas, contemplar o nada nas regiões mais remotas do Tibet ou comprar desenfreadamente nas esquinas da Aleixo Neto, dependendo da maneira como cada sociedade encarasse o fato popularmente conhecido como cair do cavalo.

O que não muda, seja numa esquina ou no ponto exato em que Judas perdeu as botas, é que construímos laços que não necessariamente terão finais felizes, criamos esperanças de que seremos reconhecidos no trabalho quando não necessariamente seremos, acreditamos que seremos amados até o fim da vida apesar das desilusões anteriores, alimentamos a crença na evolução e na serenidade quando não necessariamente há movimento e sossego.

Freud não explica; Einstein talvez sim, porque a Teoria da Relatividade (esta sim uma teoria de verdade) determina que dois referenciais diferentes oferecem visões desiguais, e ambas perfeitamente aceitáveis, de uma mesma coisa.

Falando português: Einstein diria que dois olhares enxergam uma mesma coisa de modos completamente diversos e isso, talvez mais do que qualquer coisa, justifique os desapontamentos, as dores e as decepções que nascem quando um ama e o outro cansa, um acredita e o outro mente, um investe e o outro tira, um acalma e o outro grita.

Mas dizia, entre fórmulas e outras coisas indizíveis, coisas que talvez expliquem a dor daquele tempo ou o vazio de toda a vida – ou tornem dor e vazio relativos, como são o tempo, o olhar, o espaço e um mundo inteiro de expectativas desfeitas.